E o saneamento, temos?

Brasília é a única unidade da Federação a tratar todo o esgoto que é coletado. Diariamente, no DF, são gerados 145,5 toneladas de carga orgânica. Dessas, 120,9 são coletadas e tratadas com a infraestrutura de gestão do esgoto. Outras 12 toneladas são coletadas em fossas individuais, e as 12,5 toneladas que sobram não passam por […]

Brasília é a única unidade da Federação a tratar todo o esgoto que é coletado. Diariamente, no DF, são gerados 145,5 toneladas de carga orgânica. Dessas, 120,9 são coletadas e tratadas com a infraestrutura de gestão do esgoto. Outras 12 toneladas são coletadas em fossas individuais, e as 12,5 toneladas que sobram não passam por nenhum tipo de recepção. O Distrito Federal ainda deixa 17% da população fora desse sistema. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), são milhares de pessoas que moram em regiões com fossas sépticas ou com esgoto a céu aberto.

Considerando esse índice de carga orgânica não coletada, um cálculo simples revela que o DF atira mais de 4,5 mil toneladas de esgoto a céu aberto – ou em fossas não declaradas – por ano. Vergonhoso e preocupante, porque se na Capital do país essas são as condições atuais, imaginem o resto do Brasil. Visitei recentemente Nova Colina em Planaltina e esta questão do saneamento básico é a mais reivindicada pelos moradores, juntamente com segurança e saúde. Prover à população, água potável, redes de esgoto, energia elétrica, segurança pública é o mínimo que o governo deve fazer, porque, de fato, verba não falta. Sabemos que há recursos públicos para essa finalidade, o problema é que o governo investe mal e investe errado. A população do Morro da Cruz em São Sebastião, por exemplo, não tem ruas calçadas, sem nenhum saneamento básico, crianças sem escolas de qualidade, muita poeira e muita doença infectocontagiosa por conta do esgoto a céu aberto. Lamentável! O povo precisa e tem por direito, viver em uma cidade organizada, funcionando e com serviços de qualidade. Vamos integrar forças, trabalho e recursos para mudar.

Para conhecimento de todos, a rede de tratamento remove 83% da carga orgânica;  outros 8,2% são coletados em fossas,  os 8,6% que restam sequer são coletados. Enquanto a capital federal trata 83% desses resíduos, a média da região Centro-Oeste é de 48%, e do país, de 39%. Apesar dos índices de tratamento do esgoto no DF serem positivos, e bastante superiores à média nacional, é preciso expandir essas redes. O impacto ambiental gerado pela “carga remanescente”, que se refere ao esgoto que não é tratado, somado ao resíduo das fossas e da carga tratada, se entrasse em contato com os recursos hídricos causariam crescimento de algas cianofíceas que são tóxicas, e o ‘boom de algas’, por exemplo, no Lago Paranoá trariam doenças, verminoses e morte de peixes.

Algumas áreas dentro do DF, próximas ao Plano Piloto, entram nas estatísticas da utilização de fossas. Nessas áreas, 56,17% dos lares utilizam fossa séptica, e 38,83%, fossa rudimentar. Há, ainda, 42 domicílios expostos ao esgoto a céu aberto (0,17%). Regiões que nasceram e cresceram de forma descontrolada e desordenada, como por exemplo, Sol Nascente, parte de Vicente Pires, Arniqueiras, Sobradinho II e outras, que apesar de terem projetos de rede de esgotamento aprovados, ainda não viram tais benfeitorias saírem do papel. Temos que mudar a cara do saneamento na Capital da República. Vamos juntos melhorar, porque do jeito que está, não dá.

 

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