Brasília: berço das identidades culturais brasileiras

Planejada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, inaugurada pelo Presidente Juscelino Kubitschek, Brasília, é muito mais do que um patrimônio histórico ou um marco arquitetônico. Construída com ideias modernistas, é o centro administrativo e político do país e transformou-se também em sede multicultural do Brasil. Dividido em Regiões Administrativas (R.A), o Distrito Federal é o […]

Planejada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, inaugurada pelo Presidente Juscelino Kubitschek, Brasília, é muito mais do que um patrimônio histórico ou um marco arquitetônico. Construída com ideias modernistas, é o centro administrativo e político do país e transformou-se também em sede multicultural do Brasil. Dividido em Regiões Administrativas (R.A), o Distrito Federal é o lugar onde todos os sotaques, sabores e religiões se misturam e convivem em harmonia. A cidade, terceira capital mais rica do Brasil, é repleta de peculiaridades, a começar pelos endereços. Atualmente, abriga mais habitantes do que o esperado nas cidades satélites, que foram criadas ao longo dos anos para acomodar a população extra.

O Núcleo Bandeirante, por exemplo, conhecida também como Cidade Livre (primeiro nome da cidade), é uma dessas regiões administrativas mais tradicionais e foi a maior área de povoamento anterior à construção de Brasília. Abrigou as primeiras lojas e hotéis do Distrito Federal. A cidade preserva a história e a cultura por meio do Museu Vivo da Memória Candanga, da Casa da Cultura, local composto de um teatro e um barracão temático que remete à época dos barracões da Cidade Livre. Hoje, a região sofre com a falta de segurança, saúde e um dos tráfegos mais intenso e caótico do DF.

Outra região com grande destaque é Ceilândia, localizada a 23 km de Brasília, tem a maior densidade urbana no DF. Criada para resolver problemas de distribuição populacional, possui dinamismo próprio e oferece um terço dos postos de trabalho aos seus moradores. Mesmo não estando entre as maiores rendas per capita do DF, a cidade é lugar de oportunidades para quem quer investir e empreender. Grandes empresas, como a Rede Extra de Supermercados (Grupo Pão de Açúcar), instalaram-se na cidade que possui feiras permanentes, entre elas a criada para atender os vendedores ambulantes, e a Feira Central, a mais tradicional, que conta com 460 boxes. Ceilândia tem o maior número de comerciários do DF.

Culturalmente, suas raízes são expressas por meio de festas tradicionais, movimentos e pontos tradicionais de cultura. As manifestações que ali se fixaram, desde a transferência da capital, se fazem presentes na rotina da cidade. Ao longo de sua história a cidade consolidou e expandiu celebrações regionais. A região, que expandiu demasiadamente suas áreas, sofre diariamente com a falta de segurança, brigas entre gangues, um trânsito desordenado, problemas na área da saúde e saneamento básico.

O Plano Piloto, região administrativa I, que foi elaborado por Lúcio Costa, apesar de ganhar destaque em alguns bairros, como Asa Sul e Norte, pelas obras que guardam em suas quadras, também enfrentam dilemas. Na Asa Sul, a Rua da Igrejinha, ponto turístico, tem uma comercial com variedade de lojas e restaurantes, mas sofre com a escassez de vagas de estacionamento e segurança. Problemas que, hoje, atingem boa parte do DF.  A comercial da 308/309 Norte é uma das mais conhecidas da parte norte do avião. O local é espaço para lazer, gastronomia e entretenimento, com uma variedade de restaurantes e lojas, mas padece com a falta de segurança. Dos inúmeros centros comerciais, a Galeria dos Estados é um dos mais tradicionais de Brasília e foi um dos mais prestigiados. O comércio fica ao longo de uma passagem subterrânea que une o Setor Comercial Sul e o Setor Bancário Sul, local do desabamento de um viaduto meses atrás, bem no centro da capital. Creio que todos lembram!  A galeria que abriga restaurantes, lanchonetes e lojas é o retrato da decadência e do abandono que é evidente a qualquer visitante. Há goteiras, ferros da estrutura expostos, sinal de ferrugem por todos os lados, falta de iluminação e segurança. Cito apenas alguns pontos destas três regiões administrativas. Brasília precisa ser assistida, e não só como Capital da Política, mas como a cidade de todos nós. Em cada visita que fiz ao longo desses dias, pude ver a deterioração, o descaso e a negligência do governo com a cidade e seus cidadãos desde a saúde ao transporte público. De um ponto ao outro, Brasília está abandonada. Podemos mudar isso, juntos podemos buscar transformação, qualidade e melhorias. Chegou a hora de mudar.

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